Aula de 12/04/1995 – Construção das ciências lógicas – Wittgenstein X Whitehead

Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:

Uma opinião sobre “Aula de 12/04/1995 – Construção das ciências lógicas – Wittgenstein X Whitehead”

  1. Segue um trecho de uma entrevista de Whitehead que ilustra o tema do “acontecimento”:
    “O processo é, ele mesmo, a realidade”

    [“Dialogues of Alfred North Whitehead- as recorded by Lucien Price”
    (Nonpareil Book; Boston, USA; 2001) ; p. 209-210] :

    “O processo é, ele mesmo, a realidade. [no texto, actuality, “o que ocorre de fato”]
    Citei esta frase (de seu livro Adventure of Ideas, p. 355) com o seguinte comentário: “As pessoas me dizem que uma vez que ela entra nas suas cabeças, não sai mais. Acho que sei o que ela significa; pelo menos o que significa para mim. Mas você poderia dizer o que significa para você?”
    “Demorou muito tempo, séculos, na verdade, para que os filósofos pudessem ir além da idéia de uma matéria estática,” disse ele. “Algumas substâncias, como a água e o fogo, podem ser vistas mudando rapidamente; outras, como a pedra, parecem imutáveis. Sabemos agora que um pedaço de granito é uma massa em furiosa atividade, que mantém-se em altíssimo grau de mutação; mas até que tomemos conhecimento disso, uma pedra parece manifestar talvez um pequeno grau de vida ou nenhuma vida e aparenta um estado de absoluta permanência. Mas uma vez que havia, obviamente, muito pouca reflexão acerca disso, os antigos filósofos tomavam o interior pelo que se observava no exterior [“brought it in from the outside”]. Parecia haver divisões entre uma e outra parte do universo. Mas à luz do que sabemos hoje, não há uma linha divisória entre o infinitamente vasto e o infinitamente pequeno. O elemento tempo afeta-os igualmente. Nossos corpos humanos modificam-se dia após dia; algumas aparências externas deles parecem ser as mesmas mas a mudança é constante e às vezes visível. As constelações não parecem absolutamente mudar mas sabemos que não é assim e que as nebulosas chegaram a sua forma atual e continuam a transformar sua forma. A mudança pode se dar em um minuto ou em bilhões de anos, é meramente uma questão de medidas humanas; o fato da mudança não é afetado pelos nossos usos como seres humanos, pelas nossas próprias escalas de medidas, que são, por sua vez, necessariamente condicionadas pelas limitações de nossa forma de vida. Existimos sob certas condições de espaço e tempo sob as quais temos que funcionar, condições estas que, a menos que as observemos, colorem nossos julgamentos. … Esta mesinha aqui a meu lado” – ele bateu de leve nela com os dedos – “está em processo de mudança. Se você fosse guardá-la em algum lugar por dez mil anos e então voltasse para olhá-la, a mudança seria tão pronunciada que você dificilmente poderia reconhecê-la como tendo sido uma mesa; no entanto, o processo que produziria essa mudança tão visível está se dando nela nesse exato instante, ainda que, para todo e qualquer propósito prático humano, trata-se da mesma mesa que você viu da última vez em que esteve aqui e que eu tenho visto nos últimos quarenta anos. Mudança é uma constante, seja medida em minutos ou em milênios; nós mesmos somos uma parte dela; fomos levados à existência num certo quadrante do universo em consequência desses processos e não há razão para supor que outros tipos de existência, para nós inimagináveis, tenham sido produzidos em qualquer parte do universo. Estas outras formas de vida dificilmente poderiam parecer-nos tão espantosamente diferentes quanto nos achamos diferentes de nossos ancestrais. Alguns de nossos mais imediatos ancestrais podem parecer simpáticos ante nossos olhos; porém, quanto mais remotos, maior a possibilidade de nos parecerem nada agradáveis.””

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