Aula de 10/05/1995 – Deleuze – Invenção contínua de conceitos

(...) Quando a gente estuda Deleuze, nitidamente você sofre uma dificuldade e um impacto muito grande na leitura de Deleuze, porque cada livro dele é como se fosse assim uma cascata de conceitos novos que você se depara.
 
Então você lê um livro do Deleuze, lê outro livro, lê outro livro e você diz bom, agora eu me apoderei; aí você vai ler o quarto, ler o quinto, ler o sexto, e vai ser sempre um novo campo conceitual; vai aparecer um conjunto de conceitos novos.
 
E o leitor, mesmo aquele que mais se aproxima do Deleuze, ele sente a violência daquilo; como se não houvesse possibilidade de um sossego, não é?!
 
E é exatamente a questão que o entrevistador está fazendo: Por que esta necessidade de continuamente produzir novos conceitos?
Vocês estão entendendo o que eu estou falando, certo?! Continuamente produzir novos conceitos.
 
Por exemplo, eu ainda não entrei na aula, mas aqui... aqui eu já me situo.
 
Quando você lê a Lógica do Sentido. A gente lê a Lógica do Sentido (inclusive eu marquei isso pra vocês) a leitura que o Deleuze faz do Platão, é uma leitura em que ele fala no Platão em duas dimensões. Ele fala que no platonismo haveria duas dimensões. Uma que seria (não é do inteligível e do sensível que ele faz), me parece que uma seria da cópia e outra seria do simulacro. E com isso a gente vai ler a Lógica do Sentido completamente tranquilo em relação ao ‘Platão do Deleuze’¬por que ele teria duas dimensões.
 
Quando você entra no livro que o Deleuze escreve sobre Leibiniz [A Dobra - Leibiniz e o Barroco], o Deleuze já está tratando de uma terceira dimensão do Platão que é o ‘meio espacial’. Ele abandona as outras duas e ele investe nesta questão (Que eu dei na aula passada que é o receptáculo, né?! Vocês já devem ter lido, eu não sei...) tem um texto do Timeu que é claríssimo, claríssimo, e ele introduz a questão de ‘meio espacial’ e toda aquela garantia, aquela segurança que você tinha em relação ao Platão, ela se desfaz e você é imediatamente forçado a estudar o Timeu.
 
Vocês entenderam o que eu disse?
 
O Timeu ressalta. E o ressalto do Timeu, você verifica, quando você começa a ler, que é uma obra [que] realmente é fundamental. Que não é nem mesmo o Deleuze que está produzindo a noção de meio espacial. Quem está produzindo a noção de ‘meio espacial’ é o próprio Platão.
 
O que o Deleuze está preocupado com a noção de ‘meio espacial’ é com o problema do ‘caos’, é essa a questão dele. O problema do ‘caos’ no sentido de que o ‘meio espacialpara o Platão seria, no platonismo, o que se chamaria filtro ou ‘crivo no caos’.
 
Não importa que vocês tenham entendido pouco isso, não importa. O que importa aqui é o problema da ‘criação dos conceitos. Por que? Porque o Deleuze vai identificar a Filosofia a uma criação, uma invenção permanente de conceitos.
 
continua
 

Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:

2 opiniões sobre “Aula de 10/05/1995 – Deleuze – Invenção contínua de conceitos”

  1. Bom dia, antes de mais nada, parabéns pelo site, muito rico em conhecimento. Enfim, sobre a aula invenção contínua de conceitos, acho que tá com algum problema porque eu não consigo ouvir as partes por completo, não sei se é um erro do site ou algum problema do meu computador, mas se vocês puderem ver se é algum problema do site, agradeço desde já.

    1. Caro Maurilo,
      Acabei de testar as três partes da aula “Invenção contínua de conceitos” e todas estão funcionando normalmente. Talvez o problema seja o tempo de carregação do seu computador. Se você avançar no cursor além do que já foi carregado, não ouvirá nada. Tente apertar play, depois dar pausa e deixar que a aula carregue até o final, para então apertar play de novo, como se faz às vezes nos vídeos do YouTube. Agradecemos os elogios ao site e esperamos que você continue nos visitando.
      Um abraço, Marici Passini

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