Aula de 16/09/1993 – O caos é criador

"Acho que a ideia do gérmen... o gérmen... acredito que seja fruto da terra. Então você pode dizer ‘gérmen da terra vermelha’ – ele nasce daquela terra, gérmen-caos – ele nasce do caos, o caos o produz.

 

Então... eu estou trabalhando com esta ideia: eu faço uma palavra, construo uma palavra, um sintagma duplo – duas palavras – e a palavra à qual a palavra gérmen se ligar,  é a palavra de onde se originou. [por exemplo] Se eu uso caos-gérmen, eu estou dizendo que o gérmen se originou no caos. (não sei se está claro isso aqui) E tomar a ideia de gérmen como a ideia de geração de estrutura. O gérmen gera [uma] estrutura. Em uma linguagem mais clássica, o gérmen gera [uma] ordem. Então o caos gera o gérmen, que gera a ordem. Ao passar esta ideia, eu posso simultaneamente passar a ideia de que o caos é criador; que se algo gera este caos, ele [este algo] o produz. Esta ideia de caos-gérmen que eu estou colocando, é sinônimo da ideia de plano de imanência. Plano de imanência seria a mesma coisa. Se o plano de imanência seria um momento caótico, o gérmen seria o conceito – seria uma coisa já pronta, construída.

 

O Francis Bacon, um pouco semelhante ao Matier, ele pegava a tinta – talvez semelhante ao Pollock também – jogava a tinta na tela, a tinta ia caindo na tela; e aquele corrimento da tinta, ele analisava aquilo como um caos-gérmen. Como um gérmen saindo do caos e direcionando a obra que ele ia fazer. Então ele quebrava a matéria mutativa do espírito.

 

Quebrar os clichês... quebrar o bombardeamento que nós sofremos dos mecanismos de poder pra produzir uma subjetividade. O Francis Bacon quebraria esse mecanismo jogando essa tinta ali, o gérmen viria e a obra nasceria orientada pelo gérmen."

 

Pintura: Francis Bacon

Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:

4 opiniões sobre “Aula de 16/09/1993 – O caos é criador”

    1. Olá, Alexandre

      Tente de novo! Acabei de ouvir a aula, está funcionando normalmente. Às vezes, por algum motivo, o computador demora a carregar o arquivo…
      Qualquer problema, escreva-nos de novo.
      Um abraço, Os Editores

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *