Uma personagem Original – aula em vídeo de Claudio Ulpiano (meados dos anos 90)


"Uma personagem original (escreva aí, original com O maiúsculo). É aquela que escapa da lei..."
Ulpiano inicia a aula explicando que o seu objetivo é trazer entendimento para o conceito de imagem-pulsão, mas que uma aula será sempre mais extensa do que um tema. Ele vai falar sobre a tese dos gnósticos – o deus dos puros espíritos e o demiurgo –, sobre as figuras do demônio, do anjo e do profeta, justiceiro e vingativo; sobre o nihilismo e o tempo negativo, sobre o mal radical, sobre o realismo, o naturalismo e a literatura de Melville, sobre o movimento e o tempo no cinema. Por que um homem escreve uma obra literária? O que é o cinema pulsional? “Esta não é uma aula linear. Pois estamos trabalhando com temas muito sofisticados, e uma progressão linear mataria o próprio ser da questão” – afirma Ulpiano.

4 opiniões sobre “Uma personagem Original – aula em vídeo de Claudio Ulpiano (meados dos anos 90)”

  1. Incrílvel como a energia de Claudio parecia desconhecer a debilidade de seu corpo. Mesmo depois de declarar-se muito cansado, quando retomava a palavra, sua voz era de novo fortalecida imediatamente. Incansavelmente.
    Uma belíssima aula! Como muitas outras está inconclusa mas näo será esse detalhe a água e a sede da nossa busca?
    Abraços e agradecimento.
    Solange.

  2. Aula que explica e desdobra os temas que o Deleuze apresenta no texto “Bartebly ou a fórmula”, de “Crítica e clínica”. Mas como sempre, no caso do Cláudio, há uma deriva criativa que nos encaminha para muitas outras questões!
    Grato pela volta da aula!
    Abçs,
    Tadeu.

  3. Uma verdadeira viagem, um passeio pelos recônditos da história e do pensamento. Um esclarecimento acerca da Gnose e sua aparição por entre a luta proposta pelos maniqueístas, a luta entre o bem e o mal. A partir desta dualidade, a possibilidade de um demiurgo e de um deus dos puros, de um lado a matéria e de outro o espírito. Excelente. A vontade de nada e o nada de vontade e finalmente o amor e o ódio sob a perspectiva de Empédocles em analogia a condição do cinema pulsional ou ainda o movimento como resultado do tempo invertendo a lógica inicial do cinema. Muito bom. Abraços e agradecimento a todos que possibilitam tal permanência muito oportuna. Obrigado Professor Claudio Ulpiano.

  4. O livro “O vigarista: seus truques” tem uma edição pela Editora 34, de 1992, com uma tradução primorosa de Eliana Sabino, revisão técnica e notas de Rubens Figueiredo. O livro é uma obra-prima. E o capítulo 44, traz uma reflexão literária de Melville, que interrompe o relato e fala do “personagem original”. É uma sugestão para aprofundar as reflexões inspiradas por essa magnífica aula do Cláudio.

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