Constelação: Hamleto – Príncipe da Dinamarca – William Shakespeare

HAMLETO - PRÍNCIPE DA DINAMARCA (ato II, cena II, fala de Hamleto - fragmento)
William Shakespeare
(tradução de Carlos Alberto Nunes)

“...De tempos a esta parte – por motivos que me escapam – perdi toda a alegria e descuidei-me dos meus exercícios habituais. Tão grave é o meu estado, que esta magnífica estrutura, a terra, se me afigura um promontório estéril; este maravilhoso dossel – ora vede – o ar, este excelente firmamento que nos cobre, este majestoso teto, incrustado de áureos fogos, tudo isto, para mim não passa de um amontoado de vapores pestilentos. Que obra prima, o homem! Quão nobre pela razão! Quão infinito pelas faculdades! Como é significativo e admirável na forma e nos movimentos! Nos atos, quão semelhante aos anjos! Na apreensão, como se aproxima dos deuses, adorno do mundo, modelo das criaturas! No entanto, que é para mim essa quintessência de pó? Os homens não me proporcionam prazer; sim, nem as mulheres, apesar de vosso sorriso querer insinuar o contrário.”

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