Constelação: Minhas mãos – Claufe Rodrigues

MINHAS MÃOS
Claufe Rodrigues
.
Sei que te bastam minhas mãos
Para arar a terra onde plantas
Para consertar a cerca onde cantas
Toda tarde, ao som dos alaúdes.
E quem toca tuas virtudes?
Minhas mãos amaciam tuas carnes,
Percorrem teu corpo à procura dos diábolos.
São elas que cortam a realidade em rodelas
Para que possas digerir sem obstáculos
Os obscuros duros dias.
Sei que te bastam minhas mãos:
Nelas podes ler as linhas do destino
Mover as estações do ano
Alinhavar em língua de espanto
A vertigem das manhãs.
Minhas mãos, poderosas mãos,
Tão grandes que tocam as nuvens
Tão fortes que calam os lábios
Tão ligeiras que podem tudo.
Tão delicadas, e tão rudes.
Minhas mãos, escravas mãos,
De tuas vontades e virtudes.


(Antologia poética, 2004)

[print_link] [email_link]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *