Constelação: Poema III – Myriam Fraga

POEMA III
Myriam Fraga
mmmm
Maria de Póvoas,
Maria dos Povos,
Maria, alma ardente
E as mãos tão vazias...

mmmm
Que vida enganosa
A tua, Maria,
Tecendo as esperas,
Somando as partilhas,
O sexo em chamas
E a fala macia.

mmmm
Maria... a cinza na testa,
A oração na madrugada,
Maria, um lobo na espreita,
Um verso como cilada,
O amor é como veneno,
Como sombra na calçada,

mmmm
Assombração que faz medo,
Maria, é só um poeta
Caminhando pela estrada
E a noite esconde o segredo
De tua pele alvoroçada,
De tua língua, de seus dedos...

mmmm
Somente um poeta
E a chama
Que te confunde e reclama
mmmm
O ontem já tão distante...
Tantos dias, longos anos,
Maria, tanto abandono,
Somente o vento nas folhas

E no peito... desenganos.

mmmm

(Sete poemas, de amor e desespero, de Maria de Póvoas, também chamada Maria dos Povos, à partida do poeta Gregório de Mattos para o degredo em Angola, 1995)


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