Francisco Carlos da Fonseca Elia

O INTERCESSOR

Uma tese de doutoramento, como tudo na vida, é uma questão de inspiração. Como nos diz Marcel Dettienne, é preciso que o poeta seja tomado por Mnemosyne para produzir seu cântico de louvor à vida. O pensamento de Deleuze é como um cântico que desfaz o senso comum. O filósofo deixa de ser reflexivo para se tornar um criador, o criador de novos conceitos. São, aí, essenciais os intercessores, aqueles que nos forçam a pensar. Sem sombra de dúvida, esta tese tem um intercessor privilegiado; as aulas de filosofia do professor Claudio Ulpiano. Sem elas estaríamos desprovidos dos vácuos de solidão necessários a quem tem algo a dizer e sujeitos a repetir proposições destituídas de qualquer interesse. As aulas claudianas não visam a um acúmulo de conhecimento, mas a um aprendizado que a cada semana reconstrói o que na semana anterior não podia ainda ser construído. Vemos suas aulas como um intercessor capaz de nos fazer compreender não o que o autor disse em sua obra, mas o que poderia ter dito. Esta tese é, pois, o resultado de anos de estudo e convivência com o pensamento do filósofo, professor e intercessor Claudio Ulpiano.

Rio de Janeiro, 1995.

Francisco Carlos da Fonseca Elia, doutor em Comunicação pela UFRJ, foi pesquisador da Fundação Casa de Ruy Barbosa e Professor da Escola de Cinema Darcy Ribeiro.

[print_link] [email_link]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *