Ensaios sobre Claudio

Claudio Ulpiano: A Expressão de Singularidades e Acontecimentos por Elton Luiz Leite de Souza

Foi em uma belíssima aula de Claudio Ulpiano, há mais de 25 anos, que ouvi falar, pela primeira vez, o nome do poeta Manoel de Barros. Era um poeta sendo citado em uma aula que era um poema.  Deleuze e Guattari afirmam que faz parte da compreensão de um conceito filosófico a sua compreensão não-conceitual: os conceitos não remetem apenas a outros conceitos, “os conceitos remetem eles mesmos a uma compreensão não-conceitual. (...) O não-filosófico está talvez mais no coração da filosofia que a própria filosofia, e significa que a filosofia não pode contentar-se em ser compreendida somente de maneira filosófica ou conceitual, mas que ela se endereça também, em sua essência, aos não-filósofos” (O que é a filosofia?, Editora 34, p. 57). Para compreendermos adequadamente toda a potência que um conceito filosófico possui, é necessário que saibamos ter igualmente uma compreensão não-conceitual do conceito. Esta compreensão não-conceitual implica que saibamos compreendê-lo também politicamente, etologicamente, clinicamente, eticamente, enfim, poeticamente. Leia mais

O Pensamento em ato de Claudio Ulpiano por Emanuel Tadeu Borges.
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A questão da filosofia não é abalar a fraseologia da língua standard, ela não empreende experimentações no plano da semântica, da sintaxe ou da pragmática, como seria o caso da literatura e da poesia. “A filosofia é rigor e invenção”, diz Claudio. Coerente com isso, o que se observa em suas aulas é a vigência de princípios essenciais, a despeito da aparente simplicidade. 1º princípio: o ponto de partida para a compreensão é uma observação rigorosa do significado exato das palavras, condição para o entendimento das explicações; 2º princípio: a repetição das explicações, ainda que tomadas em diferentes linhas, em que Claudio “voltava” e recomeçava de outro modo, recorrendo a um outro autor, exemplo ou raciocínio, visando esclarecer um determinado ponto.Leia mais

A Amizade Filosófica – O Encontro de Gillles Deleuze com Claudio Ulpiano por Tatiana Roque

Claudio Ulpiano foi um grande amigo de Deleuze, mesmo que nunca o tenha encontrado. Durante muitos anos, de 1980 a 1999, um grupo de pessoas das mais variadas formações se reuniam em seus cursos na casa de algum aluno ou na universidade onde ensinava. Era o traço mais potente e original do ensino de Claudio: a heterogeneidade de seus estudantes e a informalidade de seus cursos. Ele era professor universitário, mas a instituição era apenas um complemento de seu ensino, pois não partia do cânone universitário nem para preparar suas aulas nem para avaliar seus alunos, e muito menos para escolher o que iria falar. Leia mais

Claudio Ulpiano: a sedução pela Idéia por Guilherme Castelo Branco

Claudio Ulpiano foi representante exemplar de uma geração de professores que fizeram da sala de aula palco apropriado para a construção de um discurso articulado e sedutor, com o intuito maior de levar o público a se interessar pela filosofia. Seu modo de trabalhar não era tão somente um exercício de retórica; pelo contrário, as suas aulas eram todas apoiadas num extenso rol de referências teóricas que ele, sempre que podia, explicitava aos ouvintes. Todavia, Ulpiano cuidava para que sua erudição não se tornasse um obstáculo, como acontece com tantos teóricos perdidos em questões bizantinas. Ele conseguia dar um direcionamento geral aos seus cursos, em sua maioria de história da filosofia, subordinando as informações que transmitia à referência, para ele fundamental, do pensamento de Gilles Deleuze. Leia mais

Ulpiano, um pensador na transversal do tempo por James Arêas

Poucas coisas são capazes de nos inquietar tão profundamente quanto o encontro com um pensador. Assim parece ter sido, para cada um de nós, o encontro com Claudio Ulpiano: inquietante, arrebatador, definitivo. Poucas vezes somos capazes de conceber a inquietação como um afago, como uma provocação espiritual; o arrebatamento como uma solicitação e um convite; e o definitivo como uma iniciação ou um começo. No entanto, sempre foi assim com o Professor Claudio, desde que o conheci, há cerca de vinte anos atrás. Leia mais

Uma testemunha por Alberto Azcárate

Prato feito para o Claudio Ulpiano. Cheguei a sua aula num dia de inverno de 1985. A minha bagagem: argentino, quarenta anos, estudos de música no conservatório dos doze aos dezessete, e de filosofia na Universidade de Buenos Aires; curso interrompido para exercitar a práxis marxista, tendo militado desde 1968 até 1978. Cinco psicanálises nas costas, a primeira, de cunho existencialista, e de aí em diante desfilaram a ortodoxia freudiana e a gestaltista, até aterrissar no lacanismo. Leia mais

Claudio Ulpiano por Antônio Carlos Villaça

Com suas barbas, Claudio Ulpiano mais parece um sábio medieval. Alguém que nos chegasse ontem da Idade Média, dir-se-ía até um alquimista, um ser noturno, na fronteira entre a realidade e o sonho. Sabedoria, um ser impregnado de sabedoria. Eis a primeira sensação quase física que ele nos dá, com suas barbas, o seu rosto algo melancólico, o seu olhar triste, a sua impaciência contida, a tensão do seu ser. Leia mais

Susto metafísico por Luiz Manoel Lopes

Seria muito difícil encontrarmos pessoas que nunca se assustaram. É comum ouvirmos alguém dizer: “que susto!”. No entanto, se perguntássemos a uma pessoa se ela já levou um susto metafísico, ela com certeza não saberia o que responder. Provavelmente perguntaria o que vem a ser um susto metafísico. É um conceito novo, responderíamos, criado por um filósofo. É função do filósofo criar novos conceitos para expressar novos modos de pensar. E por causa disto o susto metafísico, antes de mais nada, marca a presença dele, do filósofo, no burburinho dos dias. Leia mais

O problema dos três corpos por Tatiana Roque

À minha querida Silvia.

As leis de Newton, a despeito de sua grande simplicidade, se expressam por equações diferenciais que em poucos casos podem ser resolvidas. O problema de encontrar as soluções destas equações, no caso geral, apresenta uma dificuldade extrema. A dificuldade é tanta, que a física e a matemática contemporâneas se viram obrigadas a encontrar um outro modo de lidar com o problema, privilegiando a análise qualitativa destas equações em detrimento de sua resolução explicita. Leia mais

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