Eaux D'artifice – Kenneth Anger (1953)

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Uma sofisticada e delicada figura feminina avança pelas longas escadarias do Tivoli, na Itália, impulsionada por seu desejo. O cenário de sonhos é construído com luzes e nuances de azul. Apenas um detalhe dourado: ela balança seu leque em um gesto insinuante e usa toda sua feminilidade cortejando seu amante: as águas. Com rosto pintado, vestes fluidas e uma coroa de plumas, passeia pelo jardim das delícias e se confunde com as luzes e os  jorros de água das fontes e chafarizes. Onírica e contemplativa, sua movimentação se intensifica e se ralenta ao rítmo da música de Vivaldi – a estação é o Inverno. Ela admira cada detalhe das cascatas e acaba por se desfazer completamente ao alcançar o clímax em suas bodas contra-natura.

Este curta tem linguagem bastante sutil se comparado à violenta e homoerótica filmografia do controverso artista e cineasta experimentalista Kenneth Anger. O nome "Eaux D'Artifice" referencia "Feu D"artifice" (Fireworks, 1947) e é visto como parte do ciclo Lanterna Mágica (filmes aonde as luzes assumem um caráter de substância e não apenas de iluminação). A atriz em cena é uma artista de circo que foi apresentada a Anger por Fellini.

(fontes: Deborah Allison – http://archive.sensesofcinema.com/contents/cteq/08/46/eaux-artifice.html, cinemavirtualis no Youtube – http://www.youtube.com/watch?v=nABlcJJvzYE&feature=related)

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