O Nome da Flor – Kelly Régis

Delicia de garota, era Dália. Seios duros, bunda redonda e empinada. Pele negra e lisa como seda. Deixava qualquer homem louco. Com treze anos se entregou a um namorado bem mais velho. Ele aproveitou o momento em que a beijava. Ela estava sentada em seu colo de perna aberta, de saia, a pedido dele. No calor do beijo ele abriu a calça e colocou seu pau duro na xana virgem de Dália. Assim Dália foi deflorada.com dezesseis anos. Agora, Dália  já havia dado prazer a pelo menos oito “namoradinhos”; seu atual namorado, dezenove anos, caráter duvidoso, também abandonou os estudos como Dália, em nome das delicias do jardim da juventude. Ambos tinham o primeiro ano do ensino médio, mas não trabalhavam. O rapaz fazia uns “bicos”, às vezes trabalhava na feira de São Cristóvão, só quando estava com disposição, coisa que pouco acontecia. Dália não fazia nada, mal lavava uma louça em casa. Mas mandava bem no “barba, cabelo e bigode”.

Quando estavam juntos, Dália e o namorado não se importavam com quem estava à sua volta. Eram beijos tão intensos que se tinha a impressão de que um ia entrar no outro, mãos escorregavam descontroladamente, era uma paixão aguda! A caminho de um lugar melhor para transar, Dália fixou os olhos no jardim de uma casa. Chamou sua atenção uma flor diferente, nunca vista por ela  antes. Ela não era uma fã de flores, mas se encantou por aquela. Dália era romântica, sonhava com um príncipe encantado, como toda menina de sua idade. Em cada rapaz com quem ia para a cama, ela via seu príncipe. Dália dava mais prazer do que sentia. Na verdade, ela nunca tinha chegado de fato a ter orgasmo.

A mãe de Dália, Dona Irene, já estava cansada de dar conselhos à filha, era difícil pra ela criar dois filhos sozinha, Dália era a mais velha, tinha três anos a mais que seu irmão. D. Irene queria que Dália fizesse cursos e voltasse a estudar, mas a filha, no momento, era apenas sexo. Dália até que tinha um bom relacionamento com a mãe. Seu pai havia abandonado a família para viver com outra e nunca mais aparecera. Ela queria muito um pai. Um dia, no ponto de ônibus, distraída com as belas flores do mesmo jardim que a encantara em outro dia, Dália esbarrou em um lindo rapaz. Ele lhe pediu desculpas e olhou fundo em seus olhos; não contente,  ele tirou uma pequena flor de seus cadernos e ofereceu à Dália dizendo:

─ “Uma flor para outra flor mais linda, como nunca vi”.

Dália ficou perplexa, nunca havia recebido uma flor de ninguém. Segurou a flor e assistiu ao rapaz de olhos misteriosos ir embora. Ela não a jogou fora.  Guardou-a dentro do sutiã. Quando chegou em casa, rapidamente colocou-a entre as folhas de um caderno usado até a metade, de quando ela ainda estudava. A mãe de Dália percebeu o gesto da filha e chamou-a pra conversar. Disse que certo dia também recebera uma flor de um belo rapaz, com quem se deitara, e que depois a descartou. O mesmo poderia acontecer com Dália. Mas Dália dizia com convicção que aquele rapaz era diferente, ele tinha olhos sinceros. Dona Irene riu e disse que também pensara a mesma coisa quando acontecera com ela. Dália percebeu a forte lembrança de sua mãe e quis saber mais sobre essa história. Dona Irene disse ter sido a mais alta febre de sua vida, foi uma paixão ardente.

Ela era empregada de uma família, eles tinham um filho lindo, parecia um príncipe, ele lhe ofereceu a flor. Ela, seduzida, se entregou a ele. Foi um ano de intenso calor. E ela guardou por todo esse ano a flor em sua bíblia, sim, pois é comum famílias pobres terem uma bíblia cristã. Ao descobrirem o caso, os patrões a mandaram embora, e o filho para os Estados Unidos. Ela sofreu demais. Logo depois encontrou o pai de seus filhos, com quem se casou, mas acabou sendo abandonada. E agora tenho que trabalhar como faxineira em shopping e esquecer que sou mulher, ela disse. Só me lembro de que sou uma mulher quando fico naqueles dias ou tenho que fazer preventivo.

Dália ficou triste com a história. Queria um final feliz para sua mãe, que ainda era nova. Pode-se dizer que Dália ficou sentida com a história de sua mãe, mas sua emoção continuava a mesma de quando recebera aquela flor. Sempre que passava pelo jardim, ela olhava e namorava as flores. Quando encontrou com seu namorado, Dália jogou-lhe uma indireta, ela queria ser agraciada com uma flor. Sua indireta, no entanto, não foi entendida.

Dália não conseguia esquecer daquele gesto tão raro em sua época. O rapaz pelo qual Dália se encantou também não parava de pensar naquela linda sereia negra. Seu nome era Adônis, rapaz educado, rico, trabalhava na empresa do pai e fazia curso de línguas. Seria um bom partido para Dália.

No encontro com o namorado, Dália discute sobre a proposta que ele lhe faz: um homem  mais velho, casado, ofereceu uma quantia a Robson para se deitar com Dália. Ele ficou seduzido, pois era uma forma de ter um dinheirinho. Pediu então que Dália aceitasse. Na hora ela achou aquela proposta absurda, esperneou, berrou. Mas as ameaças de Robson a intimidaram. Ele era desses rapazes que gostavam de bater em suas namoradinhas pra mostrar que são machos. E Dália partiu para sua noite, com o tal homem. Ele subiu em cima dela como um animal. Apesar de gostar de dar prazer aos homens, ela sentiu nojo. Robson aguardava lá fora o término da trepada. Ele estava ansioso, roendo as unhas, sua namorada estava sendo possuída por outro homem. Houve momentos em que ele quase interrompeu o coito, mas hesitava quando pensava no dinheiro. Enfim, Dália saiu. Muito chateada com ele, saiu sem olhar sequer para Robson. O homem pagou Robson, e este correu atrás de Dália. Na rua conseguiu alcançá-la. Os dois discutiram, então Robson, que passava em frente a uma floricultura, puxou Dália e a mandou escolher uma flor. Ela não queria nenhuma. Queria aquela flor que avistou no jardim daquela casa encantada. Queria que Robson a pegasse. Pois o rapaz especial que Dália esbarrara na rua havia  lhe dado aquela flor. Mas Robson não podia pegar a flor, havia um enorme cachorro no quintal. Ele temia falar com os donos da casa. A casa era no asfalto, Dália e Robson eram moradores da favela situada atrás da casa. Eram dois mundos distintos. Quando Dália descia o morro, já estava em outro mundo. Robson temia ser confundido com um ladrão, caso tocasse a companhia só para pedir aquela flor. Dália foi para casa sem flor, e se contentou apenas com aquela que guardara dentro do caderno. Robson dividiu o dinheiro com Dália. Esta, no dia seguinte, parou em uma loja para comprar uma bela saia da moda. Quando entrou na loja, lá estava ele, o rapaz, aquele da flor. Ela ficou congelada olhando em seus olhos. Ele também a reconheceu e sorriu. As pernas de Dália tremeram, um frio lhe subiu na barriga. O mesmo aconteceu com ele. Ela comprou a saia e saiu da loja, mas sempre olhando para ele. O rapaz saiu logo atrás de Dália. Ela percebeu que ele a seguia e resolveu parar. Então perguntou:

─ O que você quer?

─ Não imagina? − ele respondeu. Te conhecer melhor! Meu nome é Adônis. Eu me encantei por você desde a primeira vez em que a vi. Não consigo esquecer seu rosto... Quer tomar um sorvete comigo?

Dália ficou em estado de choque diante de uma declaração dessas, ficou pensativa, em dúvida, mas respondeu:

─ Não conheço você! Acho que...

─ Aceite, por favor! − Adônis pediu.

Dália, sem sinal de resistência, responde:

─ Está bem!

Os dois seguem para a sorveteria, Adônis conversa com Dália. A conversa fica animada, Dália nem percebe o tempo passar. Ele não parava de falar de sua admiração pela menina, de sua vida, seus sonhos e desejos. Adônis aproveitou o delicioso momento e a convidou para ir ao cinema. Dália, já seduzida, e ansiosa em conhecer um cinema, aceitou. As estrelas brilhavam em seus olhos. Algo apertava seu peito, balançava seu útero. Os momentos com Robson já não eram tão mágicos.

Robson procurou Dália, havia mais um cliente interessado. Dessa vez era um jovem rapaz, conhecido de Dália, que sempre teve interesse em desfrutar dos seus encantos. Ela não queria, mas o dinheiro ganho de forma “fácil” seduzia Robson. Ele precisava que Dália desse uma noite de prazer ao rapaz para ganhar este  dinheiro. No auge da discussão, Robson ficou nervoso, pois já havia recebido o dinheiro adiantado. Ele não se controlou e deu um empurrão em Dália, ela ficou com medo, mas mesmo assim disse não. Ele deu um tapa em sua cara. Então ela chorou descontroladamente e acabou aceitando. Mas deixou claro que aquela seria a última vez. E foi para a sua noite com o faminto rapaz. Ele a tocava, lambia, chupava, deliciava-se com o corpo jovem e doce de Dália. Para demonstrar algum prazer, Dália, com olhos fechados, começou a pensar em Adônis, ela só via o amor. Chegou em casa e foi direto tomar banho. Ela se lavava, mas não conseguia tirar sua sujeira. Chorava e chorava. Dona Irene escutou seu choro, e perguntou o que havia acontecido. Ela logo desconfiou que fosse dor de amor. Esperou Dália sair do banho para saber melhor o que tinha se passado. Dália confessou à mãe ter apanhado de Robson, Dona Irene implorou para que terminasse logo com o rapaz. Ela não queria que sua história com o pai de Dália se repetisse. Queria denunciar Robson, mas ao mesmo tempo temia isso, pois ambos moravam em comunidade. Robson também era irmão de um traficante, não soldado, seu serviço era de embalador. As duas colocaram essas questões na balança e decidiram não denunciá-lo, bastava Dália terminar e estaria tudo resolvido.

Caminhando ao encontro de Adônis para ir ao cinema, Dália queria fugir, levando-o junto. Porém foi só um rápido pensamento. Adônis já esperava Dália na porta do cinema. Ela se aproximou, olhou em seus olhos, e o abraçou. Foi um abraço apertado, como um pedido de proteção. Adônis retribuiu o abraço. Assistiram ao filme e resolveram passear pela praia, tudo era mágico para Dália. Adônis segurou em sua mão, olhou bem em seus olhos e a beijou, para ela era como se fosse a primeira vez. Aquele momento era só flores, suas entranhas ferviam de clamor. Os lábios de Adônis eram os mais doces, quentes e suaves que Dália já tinha beijado. Todo o seu corpo tremia, como o de uma menina virgem, perto de desabrochar. Adônis naquele momento era a praia, e Dália. Sendo guiados pelo amor.

Dália estava disposta a terminar com Robson, seus olhos eram só para Adônis. Mas Robson queria mais... O dinheiro ganho com o corpo de Dália lhe subiu a cabeça. Houve outra briga. Ela conseguiu ir embora. Robson, desconfiado, resolveu segui-la. Os encontros de Dália e Adônis tornavam-se constantes, não queriam mais ficar longe um do outro. Robson viu Dália encontrar-se com Adônis. Enfurecido, partiu para cima do rapaz. Os dois rolaram no chão, chamando a atenção de todos na rua. Para desespero de Dália, Robson não estava sozinho, chamou alguns amigos e bateram mais ainda em Adônis. Dália, com a ajuda de algumas pessoas, socorreu Adônis, levando-o ao pronto socorro. Após ser atendido, Dália chamou um táxi e o levou para a casa dele. Quando Dália deparou-se com a casa ficou perplexa, boquiaberta. Era a casa encantada, era o mesmo jardim das flores mais lindas já vistas por ela. Os pais de Adônis vieram recebê-los, Adônis entrou carregado no colo pelo empregado, a mãe fitou Dália de cima a baixo. Com um olhar de reprovação, agradeceu-lhe e quis saber quem ela era. Ao descobrir que Dália era a namorada do filho, perdeu o fôlego. Despediu-se dela no portão mesmo, sem a convidar para entrar. A menina saiu arrasada, ela queria cuidar de seu grande amor. Mas teve que se contentar em ficar do lado de fora, tentando ver ao menos o rosto de seu amado. Adônis, então, resolveu falar com a mãe sobre seu envolvimento com Dália, mas não disse a verdade sobre a agressão, deixou-a pensar que fora um assalto.

Percebendo que tinha sido rejeitada pela mãe de Adônis, Dália chegou em casa aos prantos. Sua mãe quis tirar satisfação com quem maltratara a filha. Dália implorou para que a mãe não fosse lá. No dia seguinte, a menina foi visitar Adônis. Do interfone, recebe resposta de que o rapaz não poderia receber visitas. Estava tudo claro para Dália, apesar da pouca idade, já entendia quando era excluída. Mesmo assim, insistiu. Na terceira tentativa de ver Adônis, ela vem acompanhada da mãe, que leva um choque ao ver a casa. Ela diz para a filha:

─ Não se envolva com essa gente, eles não prestam.

Mesmo temendo o que viria, a mãe tocou o interfone.

─ Você??!! O que quer conosco? − perguntou a mãe de Adônis.

─ Quero saber por que minha filha não pode ver o namorado − responde a mãe de Dália.

─ Namoro? Ora... Faça-me o favor de não me perturbar com esses assuntos xulos.

O clima fica pesado entre as duas, Irene tinha sido empregada da casa e se apaixonara pelo pai de Adônis, que fora levado para Los Angeles. Quando voltou, namorou e se casou com Sofia. Mas o fantasma de Irene era presente na casa, Sofia declarou-se rival, pois o pai de Adônis tinha sempre Irene no pensamento. Irene continuou sua vida após o aborto que tivera que fazer. O pai Adônis, porém, foi seu grande e único amor. No calor da discussão, Sofia chama os seguranças, e neste exato momento Adônis aparece. Os olhos de Dália brilham de alegria, Adônis grita para os seguranças as deixarem em paz, deixando Sofia inconformada:

─ Filho, não perca tempo com uma moça destas. Ela quer dar o golpe em você, a mãe não conseguiu, mandou a filha! Não foi pra isso que te criei! É muito desgosto pra mim.

─ Mãe, eu já posso fazer minhas escolhas, nos deixe a sós, não a ofenda, por favor. Eu te amo, mas se continuar assim, não me verá mais.

Após os insultos, Irene puxa Dália para ir embora. Adônis vai atrás das duas, deixando Sofia em desespero. Dália e Adônis se abraçam, Irene olha emocionada, mas acha que a filha irá sofrer se lutar por esse amor. Pede a Adônis que a deixe, pois não daria certo. Seria muita humilhação para Dália. No entanto, Irene percebeu que Adônis não era como sua mãe, nem como seus avós, ele era como seu pai. Ah! Se pudesse voltar no tempo! Dália e Adônis se despedem, ela teme que o rapaz suba o morro.

Após tanto procurar, Robson encontra Dália no caminho para o asfalto. Ele quer mais, pois o dinheiro que o corpo de Dália lhe proporcionou deixou o rapaz sem estímulos para procurar outros meios de ganhar a vida. Dessa vez seria um bom dinheiro, vários “playboyzinhos” dariam muito dinheiro para deitar com Dália, se fossem todos juntos. Robson omitiu esse fato para Dália, disse apenas que este cliente pagaria bem. A menina continua andando e dizendo que não quer mais fazer isso. Ele lembra a Dália da roupa que ela comprou com o dinheiro do último programa. Diz também que com aquele corpo ela pode até comprar uma casa no asfalto. Só sendo burra não aceitaria. Dália começou a lembrar de como tinha sido tratada pela mãe de Adônis, pensou no dinheiro, pensou que com esse dinheiro poderia calar a mãe de Adônis, prometeu pensar na proposta de Robson. Porém Robson tinha pressa, queria logo levá-la para a tal orgia. Dália pensou, pensou e disse não. Robson, inconformado, a ameaça e mostra uma faca no cós da sua bermuda. Dália percebe que foi muita burrice namorar um rapaz como Robson, ela fica sem ação, e com medo, aceita a proposta. Dália chega ao local, Robson abre a porta e um dos rapazes já está lá. Quando ela entra, ele logo parte para o ataque, vai tirando a roupa de Dália. Em seguida entram mais quatro rapazes, como leões cercando a caça. A menina tenta fugir, ela estava apavorada com a quantidade de homens que iria penetrá-la. Mas, contida por um deles, percebe que é pior relutar. O local era um apartamento alugado pelos pais de um dos rapazes, uma vizinha, desconfiada da movimentação, e após ouvir os gritos da menina, chama a polícia.

A polícia chega no meio da suruba, todos vão presos, já eram maiores, apenas Dália era menor. A menina, muito humilhada, aguarda sua mãe na delegacia. Irene chega, abraça a filha. A menina não pára de pensar em Adônis. Ela acha que Adônis não irá querer mais saber dela, tem medo que ele descubra o que aconteceu. Na pequena sala em que está na delegacia, vê um quadro com as mesmas flores do jardim da casa de Adônis. Ela olha, e começa a lembrar do rapaz, do jardim, da mãe de Adônis, são várias imagens em sua mente, ela desmaia...

No hospital, abrindo os olhos, Dália, com a vista embaçada, vê sua mãe e Adônis com um buquê de flores. Eram aquelas flores... Irene avisa Dália que ela e Adônis tomaram uma decisão: Dália casaria com Adônis, voltaria a estudar. Tudo para não ter que ficar mais na favela, e nem à mercê de Robson, que logo seria solto. Afinal, Adônis é maior de idade, responsável, tem emprego e ama demais a menina-mulher. Dália fica surpresa, chora. Com Adônis, Dália percebia que era mulher, digna de respeito e amor. Os dois morariam em um pequeno apartamento da família de Adônis. Mesmo contra a mãe dele. Irene dessa vez sorriu e respirou aliviada, afinal sua filha estava com um rapaz que a amava e tinha certo conforto a oferecer à Dália. A menina em meio a tanta dor física sorri quando pega o buquê e o cheira.

Na saída do hospital, Dália, Adônis e Irene se deparam com o pai de Adônis. Irene o olha, e em sua mente vem o flash back de quando eram namorados. Ele sorri para Irene, Dália e Adônis entram no carro. Os dois ficam frente a frente, Antônio e Irene. Antônio, emocionado, diz:

─ Quanto tempo!

─ São dezessete anos!

─ Me desculpa!

─ Por que me pede desculpas?

─ Por ter sido covarde, por não lutar pelo nosso amor. Permiti que fizesse aquele aborto.

─ Você era muito jovem, estava confuso.

─Você continua uma grande mulher, gentil, generosa, bondosa e sempre capaz de perdoar.

─ Isso foi necessário para que nossos filhos pudessem ficar juntos, senão, eles seriam irmãos − Irene e Antônio sorriem.

─ Eu só tive um grande amor na minha vida, você!

─ Eu também!

─ Bem, temos que ir.

Os dois entram no carro e seguem para cuidar do futuro de Adônis e Dália, para que os dois possam viver o que eles não conseguiram.

Ao som de uma música romântica, Dália entra no quarto todo decorado com as flores do jardim, muito incenso, era completamente romântico, o ambiente. Dália joga-se na cama e sorri de tanta felicidade. Adônis chega com o caderno de Dália na mão:

─ Sua mãe me contou do seu encantamento por essa flor − abre o caderno e nele só está a mancha da flor.

─ Sim... Mas onde está a flor que coloquei aí dentro?

─ Está aqui! − aponta para sua camiseta onde a flor está protegida por um plástico, como uma estampa. Sobre ela, uma pequena frase: “Eu te amo”. Dália sorri mais uma vez:

─ Eu gosto tanto dessa flor, e sequer sei seu nome.

─ Não sabe? Está brincando!

─ Não! Não sei, não conheço flores. Qual é o nome dela?

Adônis, bem próximo ao rosto de Dália, responde:

─ O nome dela é DÁLIA!

A menina fica congelada, e dos seus olhos descem lágrimas.

FIM

Uma homenagem a M. Delly e à Biblioteca das Moças

Imagem: fotocolagem com o quadro L´Origine du Monde (1866), de Gustave Courbet

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