SHORT CUTS: As Cidades III – Mariza Gualano

Maurice Pialat foi um cineasta provocador, polêmico, e realizou obras autorais que marcaram sua cinematografia.

Antes de se tornar conhecido com longas como Loulou, Van Gogh e Sob o Sol de Satã, pelo qual ganhou a Palma de Ouro em Cannes, realizou uma série de curtametragens. O primeiro é O Amor Existe/ L’Amour Existe de 1961. O filme é uma viagem poética e política pelos subúrbios de Paris no fim dos anos 50. A câmera de Pialat e o narrador Jean Loup Reynold vão nos falando sobre a decadência durante a urbanização da cidade e a condição precária dos imigrantes e trabalhadores que vivem em barracas. E tudo isso a poucos quilômetros do Champs Elisées.

A voz de Reynold nos conta ainda sobre o fim dos cinemas:

-“Palais, Palace, Eden, Magic, Lux, Kursaal. A melhor noite da semana nascia quinta feira à tarde. Lotando as primeiras filas, os melhores lugares, os jovens compravam um reino por duas horas.”

Continua descrevendo o desaparecimento das casinhas de bairro, trocadas por conjuntos habitacionais:

-“Assim maravilhas e prazeres se vão...sem ruído.”(...) “O tédio é o principal agente de erosão das paisagens pobres.”

E mais tarde diria:

-“A felicidade será decidida nos escritórios.”

As cidades sofrem mudanças, às vezes viram outras e até acabam. No cinema, elas não desaparecem nunca.

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