SHORT CUTS: Filme de Estrada – por Mariza Gualano

“O indivíduo em movimento deixa tudo para trás, em ruínas, e converte o que vem pela frente em cenários. Parte para deixar de ser quem era e virar um personagem, um investigador privado ou um cavaleiro solitário. Esta viagem não leva a parte alguma mas não pode parar.”
As palavras de Nelson Brissac Peixoto, em seu antológico livro Cenário em Ruínas, parecem se encaixar perfeitamente na definição do filme de estrada. Nos road movies, como também são chamados, os personagens se recriam em outra geografia ou correm atrás da epifania da descoberta. Partindo ou querendo chegar, vão em busca de uma identidade, ou querem simplesmente apagá-la. A ação existe porém nunca é o mais importante. Muitas vezes a narrativa abusa das pausas, do silêncio, e os sentimentos dos personagens estão à flor da pele. O conflito não está fora.

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Entre os belos e relevantes filmes de estrada estão : Sem Destino/ Easy Rider (1969) de Dennis Hopper, Passageiro Profissão Repórter / Professione: Reporter (1975) de Michelangelo Antonioni, Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo (2009) de Karim Ainouz e Marcelo Gomes, Thelma e Louise/ Thelma & Louise (1991) de Ridley Scott, Família Rodante/ Familia Rodante (2004) de Pablo Trapero e a trilogia de Wim Wenders, Alice nas Cidades (1974), Movimento em Falso (1975) e Reis da Estrada (1976).

No cinema somos todos viajantes.

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