Isso nos acontece às vezes

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Isso nos acontece às vezes integra uma série de trabalhos inéditos que giram em torno do encontro com a morte em suas manifestações ambivalentes e esquivas. A breve história narrada pela pequena Camilah, bem como o nome Alexandra, aludem aos escritos da poeta argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972) cuja poesia está marcada por um forte desejo de alcançar a morte para poder nomear os encantos desse horror. Na poesia de Pizarnik, a cisão do sujeito e a insistente tentação da morte compactuam de tal modo que chegam a transtornar o leitor, impedindo mas ao mesmo tempo apelando, incentivando a identificação com o que há de lúgubre e abismático na linguagem. Em seus diários Pizarnik chega a afirmar que é possível morrer por excesso de abstração, e fala da experiência poética como de um jogo perigoso, a leitura sendo também uma experiência sensual em que o eu delira... e se extravia. É também a esse tipo de morte que o relato de Camilah se refere.

Laura Erber
(Rio de Janeiro, 1979), artista visual e poeta.

Sua prática artística vem se caracterizando pelo constante trânsito entre linguagens (filme, vídeo, texto, desenho, fotografia) e pelo modo como renegocia as relações entre palavra, imagem e corpo. Foi artista residente no Centro de Arte Conteporânea Le Fresnoy (França), Akademie Schloss Solitude (Alemanha) Vlaanderen Pen Center (Antuérpia), Batiscafo /Triangle Arts (Cuba). Realizou exposições individuais na Fundação Miró (Barcelona), no Centro Internacional de Arte da Ilha de Vassivière (França) e na Galeria Novembro Arte Contemporânea (Rio de Janeiro). Mais informações: http://lauraerber.googlepages.com/

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