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Aula de 08/12/1994 – Élan vital, Kunstwollen, vontade de arte

" O que acontece com o homem é que ele tem a sua vida totalmente regulada pelas forças da razão. No nível científico, ele constitui as leis científicas; no sentido moral, ele constitui as leis dos deveres; e essas duas leis comandam a nossa vida. O que faz Abraão, por incrível que pareça, é uma tentativa de escapar, pela fé e pelo absurdo, das forças da lei. A tentativa de escapar do domínio da lei, a tentativa de escapar dos  deveres, pela fé ou pelo absurdo ou, de uma maneira ainda mais drástica, pela loucura... eis a história do pensamento humano, registrada exatamente  nestas duas leis, submetida à razão especulativa e à razão moral. (...) Bergson chama a vida de élan vital. A vida para ele é uma linha que entra na matéria e encontra uma resistência da matéria. Quando ela encontra esta resistência, ela bifurca, ela começa a fazer vários traçados. É este élan vital que eu estou chamando de Kunstwollen, ou Vontade de Arte. Kunstwollen não pertence ao sujeito psicológico, mas à própria vida. A vida traz com ela uma vontade de arte. O que estou dizendo é que a arte não é uma invenção humana, é uma invenção da vida. Ou seja, se você for estudar alguma coisa fora do campo antropológico, se você for estudar a vida dos animais, já nos animais você encontrará a arte. (...) Até mesmo no animal existe um corpo orgânico e um corpo não orgânico, inteiramente expressivo."

(gravação com ruídos, porém perfeitamente compreensível)

 

Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:


 

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Aula de 11/03/1992 – A superfície infinita: Estoicos e Bergson

"A filosofia estoica está atrelada à doutrina do Eterno Retorno. A doutrina do Eterno Retorno é o fundamento da filosofia estoica. E se essa doutrina, como expliquei pra vocês, não necessita de nenhum princípio transcendente, de nenhuma mitologia - ela dá a eternidade ao mais vil dos elementos (um excremento ganha a eternidade!) -, então a vida humana ganha a eternidade sem a necessidade de transcendência. Esta é talvez a eternidade mais bela que possa existir! Pois é evidente que a eternidade que queremos é a eternidade que repete aquilo que nós somos. Ser eternos mas diferentes do que somos, não nos interessa. E a eternidade religiosa dirá que, na eternidade, nós seremos diferentes; porque o corpo desaparecerá, seremos só alma, seremos ungidos. Os estoicos dizem: não! A eternidade é a eternidade da sua intimidade. Ou seja, eu nunca perderei a infância na minha eternidade. Nem os gestos mais simplórios que fiz ficarão perdidos. Assim, para eles, a constituição desta doutrina do Eterno Retorno gera uma ética; uma ética, inclusive, de altíssimo nível, pois o que se repete pela eternidade é tudo aquilo que você é. Vamos chamar esta doutrina do Eterno Retorno de lei da natureza, campo de possibilidades, onde a repetição é absoluta..."

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"A tese de Bergson é de que o cérebro é uma imagem no seio de um universo de imagens. Nós temos uma impressão tola, diz ele, de que o cérebro tem a capacidade de reter imagens dentro dele. Pensamos assim que o cérebro é mais potente do que o sistema de imagens, quando na verdade ele é apenas um ponto imagístico - sem a menor importância - ali dentro. Mas o cérebro está incluído no sistema de imagens e movimento. O cérebro, então, é matéria. Está ali, no mundo!"

Parte 1:
Parte 2:

Parte 3:
Parte 4:

 

Aula de 06/06/1995 – Bergson: percepção e memória – nós estamos mergulhados num caos de luz

Parte 1:  
Parte 2: 
Parte 3: 

Esta aula começa com o som baixo, porém aos 2 min e 30 s ele aumenta e vai assim até o final.