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“O filósofo brasileiro”, por Claudio Ulpiano

Por: Claudio Ulpiano


Pode ser surpreendente, mas existe filosofia no Brasil. É evidente que o filosofo brasileiro é uma espécie de buraco no fundo dos oceanos, para onde as águas de todo o planeta se dirigem. Então, nós recebemos a poesia inglesa, o rock australiano, a filosofia francesa. Nós somos uma mistura, mas exatamente por sermos uma mistura nós somos estrangeiros o tempo inteiro. Nós não temos um território delimitado.

O nosso universo de filósofos é de viagens constantes. E essas viagens fazem com que nós façamos os encontros mais insólitos; por exemplo, eu sou filósofo, mas me misturo com santos medievais, poetas malditos franceses, pintores modernistas, música da “pesada”, matemática, e todo um universo completamente diferente do que aqueles que vocês estão acostumados a conviver sendo ingleses ou europeus.

O que eu entendi, pelas informações que a Vera me deu, é que haveria alguém aí que seria um linguista, outro que seria um poeta, talvez o próprio linguista, outro que seria um biólogo e ao mesmo tempo um baterista. E eu acho que a combinação da biologia, da bateria, da linguística e da poesia, no final das contas, daria um filósofo brasileiro, uma espécie de buraco no oceano que recebe múltiplas águas. E no meu entender isso é um meio de produzir alguma coisa nova, e talvez muito bonita. Então, quando a Vera me falou de vocês, eu disse: Por que vocês não fazem essa experiência? Misturam um pouco de moléculas, metáforas, jogos de sonoridade e constroem uma arte nova!? É isso, um abraço para vocês!


P.S. No ano de 1990, uma aluna do Claudio que se mudara para a Austrália, a Vera Lima Ceccon, veio passar uns dias no Rio e aproveitou para entrevistá-lo. Ao final da entrevista, pediu-lhe que gravasse uma pequena mensagem para o pessoal do seu grupo de filosofia da Austrália, formado por jovens de vários países. O texto é a transcrição desta mensagem.