Uma idéia pálida

A.,

Sua carta produziu em mim uma idéia. Uma idéia na alma. Na parte superior da alma como diz Platão. No pensamento. A idéia de pálido. A estrela que você me deu, a mais bonita que já passou na minha vida, é pálida. As suas palavras escritas em uma carta estranha, são pálidas. A memória que tenho de você, de sua pergunta, é como a estrela que você me deu, pálida. Pálido não é uma cor, não é uma nuance: um rosto pode ser pálido, uma voz pode ser pálida, um sonho pode ser pálido. Uma lembrança pode ser pálida. O pálido é uma espécie de quarta dimensão, que quando se acrescenta às coisas, faz com que estas se tornem belas. A sua carta é um primor; mais do que isto: a sua carta é pálida. E de hoje para sempre, quando olhar para o céu, verei a estrela que você me deu, a mais pálida das estrelas.

A., se nunca mais nos encontrarmos, ainda assim nos encontraremos, quando olharmos para o céu, para o céu pálido, que você inventou com a sua carta, e que me deu... o nosso céu. O céu pálido.

Com toda admiração, e dignidade, presto-lhe uma homenagem de pensador, ao modo do pensador, homenagem à mais pálida das idéias: A.

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